Douglas Santarelli
A minha poesia é um beco estranho,
É uma caminhada de silêncio,
E de mãos dadas vou entrecortando o caminho de vales,
Que ainda serão planos,
Mas por que planar o caminho,
Se a vida,
É ela mesma,
Vale, planície, montanha e abismo?
Eu me tornei o meu estranho,
Eu que sonhei com a infindável beleza da igualdade.
Quantos de mim existem?
Pelo menos uns quatro ou cinco,
Além destes há ainda aqueles de mim que subsistem e se projetam nos outros.
O beco é um olhar perdido nos corredores de um labirinto chamado existência,
Suas paredes são sólidas como o amor,
E suas armadilhas difíceis de desviar,
Difícil é também se desvencilhar do sofrimento, da agonia, da indiferença,
Neste momento eu sou todo tormento e euforia,
Nem mesmo sei quem sou ou o que faço,
Sei que prossigo,
E prosseguir muitas vezes é engano.
Penso no beco...
Sua estranheza me causa espanto,
Espanto de quê?!
De não descansar,
Quando o momento é de descanso,
Lucidez!
O beco é estranho,
Mas minha poesia ainda o traduz,
Por isso quando eu morrer não quero que os homens chorem,
Pois vou estar rindo com Deus,
Depois de ter atravessado o inusitado-inevitável beco,
Meu estranho beco,
Na desejada Cidade do Amém,
Estarei envolvido por ternos braços,
Nos braços do Reino da luz.
07.09.2004
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