Douglas Santarelli – 18/12/2006 Um calor do cão, um frio de rachar
Nesse nosso mundo tudo parece fora do lugar,
É estranho que se diga isso,
Mas chegou o eterno tempo,
Onde verão e inverno já não não são mais,
E aqui sem você,
Tudo parece estar fora do lugar
É uma sensação difícil de explicar,
Talvez seja saudade,
Além do que os dicionários podem delinear,
Mas meu bem, dicionários não sentem,
Palavras não sustentam essa coisa aguda em meu peito,
Só sei que tudo aqui parece estar fora do lugar
O dia, a noite,
Meu mundo virou desde que para o novo mundo você rumou,
É estranho que se diga isso,
Logo nós que sempre vimos o sol juntos,
E rimos abraçados para a lua,
E agora nem isso,
Pois em nossos mundos distantes,
Só é possível que seja dia para um,
E é por isso que eu te digo que os quatro elementos,
Terra, fogo, água e ar,
Conspiram contra nós,
Meu amor,
Sem você fica tudo fora do lugar
E nessa luta em que se perde para algo encontrar,
É que me descobri,
Como no tempo em que se podia dizer que ainda havia verões passados,
E invernos gelados,
No campo de batalhas com a armadura da saudade viva,
Deus fez-me ressuscitar,
Lembrei-me das casas em que mal vivemos, da boa comida que jamais faltou para compartilhar,
E quando a espada ergui,
Em seu reflexo eu pude ver mais que sentir,
Nossa cama repartida,
O enlace de nossas vidas,
A eternidade em nós dois,
E foi isso que me fez revelar,
Olá, bom dia, aí talvez já seja noite,
O meu nome é enganado,
O eterno “menino” vindo de outros tempos,
Mas que insiste em chegar sempre no horário,
Eu sou como um cachorro que corre contra cavalos,
Como pássaros que voam dentro de um buraco,
Não sei mais se te dou boa noite ou bom dia,
Mas muito prazer, meu nome é enganado,
Por andar na contramão pessoas vivem tentando me tirar do páreo,
Não sou puro sangue e já puxei muita carroça,
Nesse nosso mundo estranho,
O trabalho é um prazer cada vez mais raro,
O mundo é visto de uma mira de balas,
Invadem a terra dos outros sem nada a declarar,
Já nem enterram as pessoas mais na terra que um dia há de comer,
O mundo mudou seu curso natural,
Corpos espalhados pelo chão e paraísos dilacerados,
Crianças com as lágrimas nas mãos,
Mas quem sou eu,
Senão um enganado,
Um “peão” fora do tablado,
Nesse mundo de grandes negócios, eu nem sou um pequeno empresário,
Ei, posso te chamar novamente de meu amor?
E antes que você me pergunte quem eu sou,
Muito prazer, meu é enganado,
Só por que amei mais do que devia as causas dos marginalizados,
Mas, tudo bem... até pode ser que o que eu chame de cavaleiros do apocalipse não passem de homens,
No entanto, a verdade é que eles nunca deixarão de ser os senhores da fome, da peste, da guerra e da morte,
Tudo bem... seja como for,
Mas que seja sempre por amor às causas dos perdidos,
Tudo bem... até pode ser que o que eu chame de cavaleiros do apocalipse não passem de homens,
Mas saiba que estarei sempre aqui para te servir e te dar as boas vindas em cada retorno seu,
E se for por amor às causas perdidas,
Saiba que nossas vidas não vão ser um dia esquecidas,
Mas sobre o nome que eu tenho,
Prefiro ser um “enganado” como me chamam,
Do que um ser humano ilhado em suas próprias pretensões,
E quando penso em você,
Sei que você vai retornar,
E seu beijo vai ser a porta de entrada do paraíso pelo qual eu tanto oro,
Eu que tantas vezes em você toquei o céu,
A bandeira da Jerusalém Celestial tremula na sacada do meu coração,
No nosso templo não há caça e caçador,
Só nós e um lindo menino saindo para jantar,
A fila do cinema, o desenho começa a rolar,
Fala de família,
Ei meu amor
Tudo aqui parece estar fora do lugar
A bússola não para de rodar,
O sul, o norte,
Os quatro elementos
Sem você tudo está fora do lugar,
As coisas ficam dessaranjadas,
Sem você tudo fica...
Fora de foco, difícil de enxergar,
Procuro os óculos,
Mas eu não uso mais...
Meu amor, sem você tudo fica fora do lugar
Fora de si...demorado de se aguentar
E quando a gente tenta
De toda maneira
Do amor se guardar
Ele é um Sentimento ilhado
Que parece muitas vezes estar morto e amordaçado, mas que volta a incomodar...
E é só por amor às causas que sempre dizem que estão perdidas,
Que a Trindade fez de nós um cordão,
E é só por amor que escrevo nesses dias,
A sua poesia,
E quem sabe por que foi por amor se lembrem dos casais há muitos esquecidos,
Abelardo e Heloísa,
Dom Quixote e Dulcinéia,
Dante Alighieri e Beatriz,
Jesus e a Igreja...
E um dia por amor às causas que dizem que estão perdidas...
Eu e você.